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sexta-feira, 1 de julho de 2011

E então, quatro mãos.

Eu fui à escola, pré-escola na realidade, foi lá que a vi pela primeira vez. Não prestei muita atenção, afinal passei três anos dormindo, quando acordei, ela junto com os demais colegas já estavam um ano a minha frente. O tempo passou. E aparentemente agora ele voltou.

De onde menos se espera é que surge o inesperado, e foi assim, incomum como um abraço em uma guerra, estava tudo parado, estático em seu devido lugar, apareceu. Veio para tirar do caminho certo e oferecer o caminho perfeito, surgiu do passado para o presente oferecendo um futuro abstrato e cativante, e eu adorei.

De inicio era fantasia, estrofes de ficção, mas desenhava-se uma história de encher os olhos, e como toda boa ficção fez fantasiar como seria na realidade, como seria se aqueles devaneios fossem reais, e a ideia era boa. Das fibras da imaginação teceu-se as delicatesses da realidade, metamorfose.

A pergunta que faço é, se as linhas tortas da vida realmente se mostrarão certas, a ponto de rabiscar todo esse tempo perdido e completar o texto com um final feliz. Eu sei que eles (os finais felizes) não existem, mas me parece tão plausível agora. Eu sei também que 14 anos não se rabiscam assim e se esquece, mas eu prefiro acreditar que sim.

Espero que o próximo capitulo disso tudo, seja realmente escrito a quatro mãos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

As vezes eu me pergunto o que me faz continuar

O que mais me decepciona no mundo são as pessoas, são imperfeitas e incapazes de perceberem quando fazem mal a si mesmas, o que é ridículo.
Sofrem decepções atrás de decepções e não aprendem. Como o ser humano é um ser imbecil!
Há sempre boas exceções, pessoas centradas e com historias a serem seguidas, mas ninguém da o valor, o espelho é sempre alguém em situação pior para justificar as suas burradas e fracassos.

Às vezes eu me pergunto o que me faz continuar.

Porque, desistir esta bem mais perto que o tentar de novo, estou cansando de tentar de novo, tentar, tentar e tentar...
Eu gostaria apenas de um pouco mais de racionalidade, vamos pensar um pouco mais? Vamos tentar não errar desta vez? Ou melhor, deixa que eu faço pra você.
Eu sou egoísta, não estou ligando para as pessoas jogando suas vidas pela janela, mas, por favor, não jogue parte da minha junto!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Troco um emprego por um pula-pula inflável

Você nasce, ai você liga a televisão, posta que fez isso no twitter. Pronto, sua vida começou.
Eu não sei bem quando a minha vida começou, Steve Jobs me disse uma vez, que minha vida teria começado a doze anos atrás, quando eu fiz o meu Orkut, ou em 1996 quando registrei o meu icq, só a minha mãe que insiste em dizer que a minha vida começou quando eu nasci.
Eu sempre quis ter uma piscina de bolinhas, uma cama elástica gigante e um estoque de Yakult de 1 litro. Mas eu nunca tive. Agora eu tenho um blog, um twitter e um formspring, boa troca? Muita gente quer ter um emprego, um carro e uma namorada. Normalmente o primeiro é para sustentar os outros dois. Eu não, eu troco o emprego, o carro e a namorada por uma piscina de bolinha!
Adorava quando tinha quermesse de santo Antônio aqui na minha cidade, tinha aquele pula-pula inflável, parecia um cogumelo gigante que você entrava dentro dele e pulava feito um louco, tudo por um real. Quantos  “um real” eu não torrei naquilo. Bom, eu troco o emprego por um pula-pula inflável.
Quando era moleque eu tinha uma bicicleta, agora eu tenho um facebook, o tempo muda né? A bicicleta eu usava pra ir ao jardim ver as meninas que também estavam com suas bicicletas, agora ficou mais fácil, eu acesso a pagina delas, Lá já tem a idade, lugares onde frequentam (não é mais a pracinha da infância) e a orientação sexual (porque agora tem disso né?), e elas não brincam mais de pega-pega, alias, brincam sim, mas é outro tipo de pega-pega.
Mas não estou desanimado com isso, o estoque que Yakult gigante eu ainda posso conseguir, assim que o tiver posto no meu twitter ou no meu Orkut de 1998, porque o ICQ há muito tempo eu não tenho mais.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O meu primeiro amor

Se eu fechar os meus olhos, bem firme, eu consigo me lembrar da primeira vez em que me apaixonei. Minha única dificuldade é distinguir o que foi real, e o que a minha mente maquiou com o passar do tempo. Às vezes imagino repetidas vezes como o momento poderia ser perfeito e acabo confundido minha fantasia com a realidade, que nem sempre é carregada de perfeição a ponto de ter o privilégio de ficar guardada em minhas memórias sem me servir de tortura.

Durante esses anos de vida, que não foram muitos, tive algumas desventuras dignas de serem contadas em um livro, e talvez nem tão interessantes para serem lidas, são somente historias como outras quaisquer, que envolvem amor, ilusão e um personagem principal abobalhado que acredita saber algumas coisas sobre as pessoas.

Minha vida sempre foi regida por minha arrogância. Pela evidente vontade ser superior aos demais pensantes, por acreditar sempre estar um degrau a cima, quando muitas vezes o inverso era plausível. Essa característica nos faz mostrar-nos indiferente as perdas pequenas, quando na realidade sem demonstrar sinais, seu emocional vai abaixo e você se sente inferior aos mais desprazíveis seres humanos.

Fechando os olhos eu posso ver nitidamente uma garota de pele branca e sadia, de cabelos pretos e encaracolados na altura do pescoço, de olhos cor de mel e boca rosada, que era doce, alegre e inexplicavelmente sublime. Lembro quando me apaixonei por ela, foi na pré-escola com seis anos de idade, da então ojeriza ao sexo feminino à idolatria de um ser perfeito. Foi o meu primeiro amor, que como todos os outros se perderam com o tempo e me deixaram como herança apenas a lembrança e um resquício de sentimento.

A perfeição, esse é o primeiro atributo que se nota quando se ama. Eu sei que ninguém é perfeito e com o tempo o encanto acaba, porem basta um pouco de distancia e ele volta, e a idéia de perfeição não parece mais loucura. Hoje eu acredito que Eliza, o meu amor da pré-escola, seja realmente perfeita e continue perfeita depois desses dezessete anos que não a vejo, com os mesmos olhos de inocência e sua pele delicada onde quiser que ela esteja.

O sentimento de fracasso é péssimo, mas ainda pior é o sentimento de arrependimento por não ter tentado, com Eliza eu não tentei, não sabia o que tinha de ser feito, não sabia o que era o amor, mal sabia o que era aquilo que eu sentia além da vontade de ficar perto e de guardá-la pra mim em um lugar onde ninguém mais poderia tocá-la.

A pré-escola e o primeiro ano passaram, a família dela se mudou, mal sabia que nunca mais iria ver aqueles cabelos encaracolados novamente, isso poupou o meu sentimento de perda, mas também impossibilitou agir de alguma forma. Essa é a historia do meu primeiro amor, que fechando os olhos, bem forte, eu ainda posso lembrar com detalhes o quanto a sua beleza ardia no meu peito.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O meu mundo e o axé

Se o mundo fosse como nos meus sonhos tudo seria mais simples, eu comporia uma grande canção todos os dias e uma nova linda mulher se apaixonaria pelo meu jeito bonachão, dia após dia, ininterruptos devaneios filosóficos de vida perfeita e amores eternos.

Mas o mundo não é como eu sonho, as pessoas não mais se amam, e por sua vez eu sou um péssimo compositor.

Se o mundo não fosse como nos meus sonhos ele seria idêntico a esse, cheio de porcarias, cheio de pessoas pouco interessantes e de intelectos incapazes de compreender o seu próprio ser.

No momento em que se tem consciência de que seus desejos jamais serão alcançados, que suas alucinações cotidianas são meras alucinações cotidianas, a alternativa mais justa é o conformismo, o conformismo de uma “banda” de axé.

Vem ao chão o desejo de jantares românticos e diálogos interpessoais introspectivos, da troca de conhecimentos mútuos, dos relacionamentos que ultrapassam as relações carnais dos seres. Vem ao chão, o meu mundo.

É um ato desesperado de quem vê suas mãos atadas perante tamanha avacalhação, não há alternativa mais previsível que simplesmente afirmar com certa dor: “viva o carnaval”, “viva o fast food”.